Comunidades de Fundo e Fecho de Pastos: Resistência e Sustentabilidade na Caatinga e no Cerrado
Foto: Acervo ISPN
Na contramão do sistema baseado na propriedade privada e monocultura voltada à exportação, as comunidades de fundo e fecho de pastos que vivem na Caatinga e no Cerrado operam sob a lógica da posse e uso comunitário da terra. Nestes territórios, costuma-se dizer que “o bode é o rei”, pois a criação livre de animais facilita o acesso à água e pastagem em períodos de seca severa, sendo um exemplo paradigmático de convivência com climas com longos períodos de estiagem, como o semiárido.
As poucas cercas existentes servem apenas para proteger lotes de plantio e animais domésticos menores. A produção é voltada prioritariamente ao autoconsumo, gerida por homens e mulheres com vínculos profundos com o manejo ambiental sustentável. Os fundos e fechos de pastos abrigam centenas de comunidades com identidades diversas, que compartilham trajetórias de vida e valores comuns.
O desafio central dessas populações não é a aridez do clima, mas a investida de grileiros e do agronegócio. A imobilidade do Estado para a regularização fundiária desses territórios associada à ausência de títulos formais de posse é frequentemente usada como pretexto para tentativas de expropriação. Em resposta, essas comunidades resistem de forma organizada através de associações e redes de comunidades, lutando pela permanência em seus territórios, valorização dos seus modos de vida sustentáveis e pelo respeito à sua identidade coletiva.
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