Pirarucu

Arapaima gigas

Espécie

O pirarucu (Arapaima gigas), conhecido como o “gigante das águas doces”, é um dos maiores peixes de escamas do mundo. O seu nome tem origem tupi: pira significa “peixe” e urucu refere-se ao “vermelho”, uma alusão às manchas avermelhadas que colorem as suas escamas na região caudal. Pode ser encontrado na região Amazônica brasileira e na bacia Tocantins-Araguaia, uma área de transição entre os biomas Amazônico e o Cerrado. Também está presente na Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana e Peru.

É um peixe de corpo alongado, com cabeça pequena, porém comprida, e boca grande com mandíbulas proeminentes. Possui diversas características interessantes, entre elas seu porte impressionante: pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar até 200 kg. Além disso, apresenta uma adaptação evolutiva notável — a capacidade de respirar ar atmosférico — o que lhe permite sobreviver mesmo em ambientes com baixos níveis de oxigênio na água.

Outra característica marcante é seu comportamento reprodutivo. O pirarucu constrói ninhos nas margens de rios e lagos para a desova. Os ninhos são escavados na areia com a boca pelos machos, que, durante a fase larval, cuidam da prole para protegê-la de predadores.

A alta valorização da carne do pirarucu levou à sobrexploração da espécie nos anos 80, motivando o governo brasileiro a estabelecer regras rigorosas para sua pesca e comercialização. Além disso o pirarucu foi incluído na CITES — um acordo internacional que regula o comércio de espécies da fauna e flora ameaçadas —, o que significa que outros países só podem importar o peixe mediante apresentação de documentos oficiais emitidos pelo governo brasileiro, comprovando que o manejo foi feito de forma legal e sustentável. 

Com o fortalecimento das medidas de controle, a população do pirarucu, antes em declínio, voltou a atingir níveis estáveis, possibilitando seu uso como alimento pelas comunidades tradicionais da floresta e também sua comercialização em grandes centros urbanos.

Além da carne, diversas partes do pirarucu são aproveitadas pelas populações tradicionais. A língua óssea, por exemplo, é utilizada como lixa para ralar o guaraná em bastão e outros produtos. A cabeça é consumida na alimentação, as escamas são transformadas em artesanato e o couro é utilizado na confecção de bolsas, calçados e outros itens, agregando valor ao uso sustentável da espécie.



Foto: Shutterstock.com

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