Agricultores familiares: A luta que chega na mesa de todo brasileiro

Foto: Peter Caton / Acervo ISPN

A agricultura familiar representa a luta histórica que garante o alimento na mesa de todo brasileiro. Os dados do Censo Agropecuário de 2017 revelam a magnitude desse setor: 77% das propriedades rurais do país pertencem a pequenos agricultores familiares.

São mais de 3,9 milhões de propriedades rurais, com 46,6% concentradas na região Nordeste. No entanto, a importância social não se reflete na distribuição de terras: esses produtores ocupam apenas 23% da área dos estabelecimentos agropecuários, enquanto as propriedades não familiares (latifúndios) detêm 77% da área agrícola do país. Essa disparidade estrutural evidencia os desafios enfrentados no campo, como a concentração de renda, a dificuldade de acesso ao crédito e a carência de investimentos em infraestrutura, fatores que impulsionam o êxodo rural e o desequilíbrio populacional urbano.

O modelo de produção do agronegócio hegemônico, pautado na monocultura, no uso intensivo de agrotóxicos e na mecanização, desvaloriza o conhecimento popular e reduz drasticamente a oferta de empregos no campo. Esse setor possui forte influência no Congresso Nacional através da “bancada ruralista”, que frequentemente interfere em políticas públicas, resultando na erosão de direitos conquistados pelas populações tradicionais.

Contra essa pressão, a resistência se manifesta no emprego de práticas agroecológicas e na luta contra a expansão das monoculturas de eucalipto que ameaçam as nascentes do Cerrado. No Semiárido, o combate se dá contra grandes projetos de irrigação, como os do município de Petrolina (PE), que muitas vezes expropriam áreas de agricultura familiar.

No Cerrado e na Caatinga, a atividade inclui o extrativismo sustentável de espécies como o pequi, babaçu, baru, umbu e carnaúba, essenciais para a complementação da renda e preservação dos biomas.

Entre as vitórias recentes, destacam-se políticas públicas formuladas em parceria com a sociedade civil, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab, criado em 2003; a Lei 11.947, que integra a agricultura familiar à merenda escolar via PNAE; e o Programa Garantia Safra, fundamental para mitigar perdas por estiagem no Semiárido. Em reconhecimento a essa relevância global, a ONU declarou 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar.

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