Cerratinga

Ameaças ao Cerrado

Diante da generosidade e exuberância do Cerrado, as possibilidades de uso da flora nativa são as mais variadas. São inúmeras as espécies que podem ser utilizadas para alimentação, artesanato, remédio, cobertura de casas, fibras, entre outros usos.

A vastidão do Cerrado brasileiro, com sua fauna e flora, lhe conferem o título de savana mais biodiversa do mundo. No entanto, contraditoriamente, é um dos biomas mais ameaçados do país. Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontam que, entre 2002 e 2008, o Cerrado teve uma média de desmatamento anual equivalente a 14.200 km² devastados. Entre 2010 e 2011, a taxa de desmatamento foi de 6.469 km², semelhante a da Amazônia, que foi de 6.451 km².

Os motivos para este quadro preocupante estão relacionados à expansão do agronegócio  e ao uso predatório do solo. O MMA  aponta a lavoura, em especial a produção de grãos como a soja, e a pecuária como as principais atividades responsáveis por essa devastação. Para se ter uma dimensão do problema, 54 milhões de hectares de Cerrado deram lugar a pastagens e 22 milhões estão ocupados por plantações de grãos. Outra monocultura que ameaça a vida no Cerrado é o eucalipto. Essa espécie tem crescimento rápido e, devido ao grande consumo de água, leva ao secamento de nascentes e à exaustão dos mananciais.

Também se somam como fatores de risco para o bioma as queimadas e a ampla demanda de lenha para a produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica. Vale ressaltar que o desmatamento e as queimadas já devastaram 100 milhões de hectares do Cerrado, ou seja, metade do bioma. Tais práticas de uso do solo são as principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa no Brasil.

Sem acesso aos recursos necessários para sua sobrevivência e sofrendo o impacto de todas essas práticas predatórias, muitas comunidades locais ficam isoladas pelas limitadas possibilidades de permanência, resultando no êxodo rural.


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